Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

- A Paz, valor sem fronteiras

In: Defesa de Arouca

É hora de reflexão (IV)
A Paz, valor sem fronteiras

Vivemos agora a época da Páscoa e com certeza que esta será uma boa altura para uma reflexão. Páscoa significa também Paz. Escrevo esta coluna “É hora de reflexão” com alegria e em pleno entusiasmo, para, qui ça, conseguir levar a algumas mudanças de comportamento das pessoas e da comunidade... e porque não havemos de prestar a nossa colaboração, se o verdadeiro interesse é de todos? Não podemos negar ou esquecer que a Religião é necessária ao Homem e à Sociedade, cada vez mais...

Quantas vezes ouvimos o Apóstolo instruir os fiéis para se comportarem na verdadeira caridade, sendo bondosos, compassivos e perdoando-se mutuamente? Quantas vezes nos esquecemos disso? Seria bom que todos, a partir deste momento, fossemos lançar sementes de paz... Só assim seremos discípulos de Jesus, que nos ama e se entregou à morte por nós... para que haja mais paz no mundo, para que o melhor que existe dentro de nós cresça, no sentido de uma vida sadia, mais digna, mais altruísta, mais verdadeiramente humana...

Tanto a paz, como o seu contrário, a guerra e o conflito, não surgem por acaso. A verdade é que surgem, na maior parte das vezes, como uma projecção daquilo que existe e vive dentro de nós. Se no nosso íntimo germinarem sementes de ódio, de competição exagerada, de conflito, necessariamente haverá lugar ao desenvolvimento de situações que conduzirão a lutas e guerras, ... e sempre sem sentido. A paz é um valor de uma importância tal que deve ser proclamado uma e outra vez, e promovido por todos. Não existe um ser humano que não beneficie da paz. Não existe um coração humano que não se sinta aliviado quando reina a paz. Promover a paz e a amizade sincera entre todos é mesmo um acto de inteligência. E este caminho deve, obrigatoriamente, começar na família... A família é a base de tudo e por isso tudo de bom deve aí nascer, para florescer ao longo dos tempos, depois de nós...

A paz é um valor sem fronteiras. É um valor que corresponde às esperanças e aspirações de todos os povos e de todas as nações, dos jovens e dos anciãos, de todos os homens e mulheres de boa vontade. O verdadeiro caminho que conduz a uma comunidade mundial, na qual hão-de reinar a justiça e a paz sem fronteiras, entre os povos e em todos os continentes, é o caminho da solidariedade, do diálogo e da fraternidade universal. Este é o único caminho possível. Este é o caminho a seguir, pois Quem não nasceu para servir não serve para viver, ou como disse Séneca, Só colhe bons ventos quem sabe para onde vai... Temos, urgentemente, de descobrir o que queremos da vida.

Para se chegar à formação efectiva de uma comunidade mundial deste tipo, é preciso abandonar atitudes mentais e concepções políticas contaminadas pela sede do poder, pelas ideologias, pela preocupação de defender os próprios privilégios e bem-estar, e substituí-los por uma disponibilidade para a partilha e colaboração com todos, num espírito de confiança mútua, sem traições, invejas, mentiras e enganos. Porque teimam as pessoas em promover dentro delas a competição desgarrada e a inveja, sentimentos desprezíveis e reprováveis quando manifestados pelo ser humano contra o seu semelhante?

Mas, estando nós atentos ao que se passa à nossa volta, o que vemos? Certamente, e infelizmente, mais mau que bom... Muitas vezes poderemos mesmo interrogar-nos se valerá a pena lutar contra a estupidificação triunfante, contra a lógica democrática das massas, contra a mediocridade transformada em acontecimento, contra a ignorância transformada em concurso e emoção... Se actualmente parece ser de Marcos, Sónias e de futebol que se faz notícia, as nossas vidas e o destino da nação, o que nos esperará no futuro? Será que bastará apenas o sonho, como dizia o poeta?

“Sempre que um Homem sonha
O Mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos de uma criança...“

Acima de tudo, não nos podemos esquecer que apenas podemos transmitir aos outros, sejam filhos, alunos, irmãos ou colegas, aquilo que temos em nós mesmos. Será sempre difícil fazer despertar, crescer e florescer nos outros a Paz que em nós mesmos não exista... Não é só pela comemoração do Jubileu 2000 que tudo fica melhor. A verdade é que só se pode realmente melhorar se todos o quisermos, activamente e com vontade interior, lançando sementes de paz, perdão e reconciliação, para um futuro mais nobre, mais justo e digno. Se meditarmos sobre isto iremos concluir, com certeza, que vale mesmo a pena ajudarmos a criar uma cultura de paz, onde se sinta verdadeira liberdade, igualdade e fraternidade.

É necessário renovar esforços neste sentido. Há que fomentar o diálogo e a compreensão. Há que abater as barreiras que dividem o mundo e os corações! Estas são, na maior parte das vezes, formadas por “escudos”... Disse João Paulo II que todos os homens que acreditam em Deus devem viver a vida com a consciência de serem membros de uma só e mesma família de filhos de Deus e sob a sua paternidade. Apelou a todos, jovens, anciãos, fracos e poderosos, para escolherem a paz como o grande valor que pode unificar as vidas. Há que, onde quer que vivamos, procurar a paz e o amor, em solidariedade e em diálogo sincero:

“A paz como valor sem fronteiras:
Do Norte a Sul e do Leste ao Oeste,
em toda a parte um só povo unido numa única PAZ”.

O mundo está, quase sempre, em crise e em guerra. Meditemos e vivamos em paz. Tudo começa simplesmente por nós. A solução é procurar Cristo, príncipe e autor da paz... para que assim reine, todos os dias, a ordem, a tranquilidade e o amor. Vale mesmo a pena acabar com a desordem, a inquietação, as rixas e a guerra. A paz, um valor sem fronteiras, é a mãe do amor e deve, a todo o custo, conservar-se. Cristo disse “Deixo-vos a paz, dou-vos a paz”, ou seja, Ele deixou-nos em paz e em paz nos quer um dia encontrar. Temos assim o dever de conservar e amar a paz e a concórdia. Procuremos então conservar-nos sempre unidos no amor fraterno pelos laços de uma paz profunda e fortalecer o amor recíproco mediante o salutar vínculo da paz, que cobre a multidão dos pecados.

Amar a paz é encontrar tranquilidade de espírito e a calma profunda. É a forma de obter o prémio, a alegria e a perfeição de Deus. Ninguém duvidará que todos são mais felizes quando reina a paz nas nações, na comunidade, na família e, acima de tudo, dentro de nós próprios... Muito do grande mal que fazemos aos outros é um reflexo puro da nossa pequenez interior... Como a presença do Sol afasta as nuvens, o olhar de Deus, sempre presente no pensamento e no coração dos homens bons, acalma todas as perturbações e intensifica a paz da alma e a paz com os outros e evita o que Huxley chamou de sentimento indesejável, o remorso crónico... o bem é premiado e o mal será cobrado...

Relembro agora algumas frases do artigo intitulado "É hora de reflexão - Meditação sobre o que é certo, a morte", publicado neste jornal na semana da Páscoa do ano anterior:

"... reflecte sobre o que tens feito na vida... abre os olhos e o teu coração... terás de dar conta de todas as acções da tua vida, desde que chegaste ao uso da razão até dares o último suspiro, sem escapar nem sequer uma palavra... é neste mundo que tens de procurar perdão para as tuas faltas... é neste mundo que Deus espera de nós um contributo sadio e útil à sociedade... é neste mundo que vais sofrer por causa dos teus pecados... considera-te nos últimos momentos da morte... alguém te cerrará os olhos... estenderá os pés e comporá os braços e, finalmente te vestirá as tuas últimas roupas, único despojo de todas as riquezas do mundo... irás ser levado para um palácio onde irás viver, como novo hóspede... eis-te aí, onde vem parar toda a glória do mundo... onde todos são iguais... e, acima de tudo, para que serve a um homem ganhar todo o mundo se, nesse trajecto de vida, ele vem, muitas vezes, a perder a sua alma?...”

Não esqueçamos que o mundo precisa mais de “ricos homens” do que de “homens ricos”. A riqueza eterna é a riqueza interior. Interessará “subir na vida a todo o custo” ou “estar plenamente na vida” ? A vida pode ser formidável quando temperamos a ambição pelo dinheiro e o orgulho do poder... mas o facto é que a civilização “modernizada” abafa, muitas vezes, quase à nascença, a vida verdadeira... há que procurar uma concepção original da vida, procura cada vez mais difícil. A verdade é que a vida é muito simples mas, infelizmente, quase tudo e todos conspiram para a tornar complicada...

Disse Paulo VI “Há mais do que nos une do que nos separe”... ainda bem! Mas até quando?...

Fernando Tavares Ferreira
publicado por FTF às 14:05
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